Mostrando postagens com marcador histórias.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador histórias.. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 4 de agosto de 2020

LUIS BAIANO, UM GRANDE CAÇADOR DE VEADOS E PERDIZES

 
Maria Baiana e Luis Baino


Ao filho ainda vivo, o Tio Lilo, aos netos, bisnetos e trinetos e quem sabe tataranetos e, especialmente a geração que nasceu após 1972, remexendo na gaveta do tempo, aproveito para fazer um breve relato de um dos hobby (passatempo),  de Luís Baiano (foto acima, ao lado de sua esposa, a Maria Baiana), qual seja,  a caça de veados e perdizes. 
Para tanto ele criava cães especiais para a caça destes animais, aos quais dedicava muito mais carinho do que aos filhos e a esposa. Ai de quem fizesse algum mau a estes cães.
Ele também era possuidor de uma carabina, e o Tio Dito era o seu motorista, um jipe. Quando Luis Baiano internava-se nos cerrados e matas de São Lourenço, seja caçando veados ou perdizes, era como se estivesse no paraíso. E, não falhava, toda vez voltava com um ou mais animais abatidos. A sua alegria ao chegar era notória. Um dos motivos de ter comprado terras em Mato Grosso, com certeza, foi porque estava pensando na caça. Porém, faleceu antes de poder se instalar nas novas terras.
Vale dizer, quando resolveu mudar-se para Mato Grosso, ele era possuidor de uma fazenda muito bem formada, com uma grande boiada no Saverá, um área rural, localizada no município de Caarapó (MS), Aqui coloco a minha opinião, que pode ser muito diferente da de vocês, parentes: ele fez um mau negócio. Mas deixa pra lá, afinal de contas, "aguas passadas não movem moinhos"

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

O CASAMENTO DE LUÍS BAIANO E MARIA BAIANA

No início deste mês e ano, estive visitando os parentes da Família Oliveira e Agregados que residem em Araçatuba e Região, dentre eles, o Tio Lilo, o nosso ancestral, ainda vivo, por isso mesmo, o mais importante para os integrantes da Família Oliveira.
Com o Tio Lilo conversei sobre o Luis Baiano e a Maria Baiana. Nesta conversa, o Tio revelou que o casamento deste casal não teve namoro. Isso mesmo, acreditem, especialmente, os netos, bisnetos e tataranetos, muitos dos quais, não conheceram este casal. Segundo Tio Lilo, Luís Baiano residia em São Paulo, e um amigo oriundo também da Bahia, um certo dia disse pra ele: "viajarei para a Bahia e trarei a minha irmã - no caso a Maria Baiana -, para casar-se contigo." Dito e feito.
Claro que um casamento, realizado em tais condições, desconsiderou a cumplicidade, o afeto e o respeito que deve haver entre um casal. Diversos problemas decorrentes desta união afetou de forma muita intensa aos filhos dos casal, em aspectos tais como: personalidade, irritação, inquietude e também profissionalmente. Em menor grau também afetou aos netos, bisnetos e tataranetos deste casal. Se quisermos entender esta família no seu jeito de ser nos aspectos emocional e psicológico, temos que levar em conta a união estabelecida entre Luís Baiano e Maria Baiana.


Na foto abaixo temos da esquerda
 para a direita: Luís Baiano, Tio Lilo, 
Tia Ana, Osmar (nos braços da Tia Ana), o 
Joãozinho e a frente a Cida, a Vani e o Joãzinho



Na foto acima, o casal Maria Baiana e Luís Baiano

sábado, 11 de janeiro de 2020

O CASO DA PORTEIRA, MAIS UMA DAS HISTÓRIAS SOBRE O LUÍS BAIANO

Nesta última e recente visita feita a Tia Iracy, ela me contou que quando o Luís Baiano, o meu avô, morava em São Paulo, onde tinha uma propriedade rural, um certo senhor que passava pela estrada abria a porteira e não a fechava. Acredito que por ser muito difícil fechá-la.
Diante disso, Luis Baiano, ficou a espreita (escondido)  e quando o dito cidadão abriu a porteira, sem contudo fechá-la, o meu avô, o abordou de revólver em punho, apontando-o para o infrator e dizendo: "ou você volta e fecha a porteira, ou você será um homem morto. Claro que o cidadão voltou e fechou a porteira". E ai dele se não tivesse fechado.

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

João Gabriel ou Jão Sertanejo?


Estive visitando recentemente o Tio Lilo (02 a 06 de Janeiro de 2020), e conversa   vai, conversa  vem, e eis que ele fez a pergunta: "Enio você conhece o João Sertanejo?". Respondi de bate pronto, não o conheço!!!! E o Tio Lilo, então disse: "como assim", se ele é irmão da Lurdes, a tua madrasta"!!! Então respondi, mas eu o conheço como João Gabriel.
Então o Tio Lilo, fez uma narrativa dizendo que o João Gabriel, muitas e muitas vezes, trabalhou para o Luis Baiano, nos anos 1960  e 1970, na lida com a lavoura, como diarista, ou como diziam os camponeses, por dia.
No entanto, o Tio Sebastião, o apelidou de João Sertanejo, apelido que o João Gabriel (foto abaixo) não gostava. Mas para a família dos baianos, é assim que ele é conhecido. Deixo a pergunta: João Gabriel ou João Sertanejo? "Você decide"!!!


João Gabriel ou João Sertanejo

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

O ENCONTRO NA CASA DA TIA DILA

 Tio Zé Baiano e a Tia Dila. 

Parentes, informo que a Tia Dila, dos meus parentes maternos foi a pessoa  com a qual mais convivi. Ela para morou por vários anos em Dourados juntamente com o seu filho o Zezinho. O Zezinho trabalhava para o Zé Aguiar, dono do Mercado Aguiar. 
Durante muitos anos, a Tia Dila e o Zezinho, moraram em um casa existente no fundo do Mercado Aguiar. Depois de muitos anos trabalhando duro, o Zezinho comprou uma casa na Vila Santa Brígida e foi moral nela com a Tia Dila. Os dois,diga-se de passagem,viveram por muitos e muitos anos, nesta casa, vale dizer, até os últimos dias de suas vidas.
Eu trabalhei três meses no Mercado Aguiar, e não poucas vezes, almocei na casa da Tia Dila. Ela fazia uma comida com o característico tempero baiano e muito carinho. Ela tinha um carinho muito especial por mim, inclusive, não se cansava de dizer que gostava demais de minha mãe, a Dona Izaura. 
Na Vila Santa Brígida, várias vezes fui visitá-la, onde tomávamos cerveja, e bastante. A Tia enxugava legal.  
Já o Zezinho, além de tomar cerveja, era cantor de música sertaneja, tendo inclusive, algumas vezes cantado em rádios de Dourados, se não me falha a memória com o Salu. Era um santista apaixonado e gostava de jogar futebol, sempre como ponta  ponta direita. Se o colocassem em outra posição, ele ficava uma fera, tal como no trabalho já que era muito nervoso, um autêntico neto do Luis Baiano.
Algumas pessoas disseram que quando a Tia Dila estava doente, ela teria dito que viria buscar o Zezinho. Coincidência ou não, cerca de um ano depois, o Zezinho faleceu. Os dois nasceram para cuidar um do outro. O Zezinho foi um ótimo filho pra ela e ela uma ótima mãe pra ele.
Quanto ao Tio Zé, que aparece na foto ao lado da Tia Dila, quando veio do Mato Grosso, especialmente para visitar alguns parentes e conhecidos que moravam em Dourados. Uma dessas visitas ele a fez aTia Dila, na casa que  comprara no Jardim Santa Brígida. 
A Tia Dila ligou para mim e pediu que eu levasse o meu pai. Nesta visita consegui levar também o meu Tio Ildefonso. Além dele estava presente o Francisco Barcellos, popular Chicão. O Chicão para vocês que são mais jovens, é primo dos filhos do Tio Zé, já que a sua mãe a Dona Domingas era irmã da Tia Ana, a primeira mulher do Tio Zé.
Ficamos horas e horas conversando, afinal contas, depois de quase três décadas sem se verem, conversa e assunto é não faltaram. Aliás o último encontro dos tios citados e o meu pai já que todos são falecidos. Imaginem pois,  a alegria de toda a patota.
 Francisco Barcelos (Chicão)
 e a sua esposa, foto datada
de 19 de agosto de 2019. 

sábado, 27 de abril de 2019

MULHER, VESTIR CALÇA COMPRIDA.UM DIREITO RECENTE



Até a década de 1970, embora criança, me lembro muito bem que as mulheres não podiam vestir calça comprida. E quando começaram a utilizar, a calça não podia ter braguilha. A saída ao invés de ter passadores, foi a de colocar-se  um elástico em calças a serem confeccionadas para mulheres, a exemplo dos calções, para que não ficassem caindo. Também recorreu-se ao expediente de ter uma abertura lateral, tendo como prendedor um botão ou uma presilha que tão logo a calça fosse vestida pela mulher, era abotoado para impedir que a calça arriasse. Depois de algum tempo elas puderam fazer uso da calça com braguilha desde que ao invés de botões tivessem um zíper para fechá-la.
USO DE CALÇAS PELAS MULHERES NO SENADO FEDERAL
O interessante é que a primeira vez que uma mulher teve permissão para usar calça comprida no Plenário do Senado foi há duas décadas. O uso do traje era proibido até 1997, quando um ato do então presidente, senador Antônio Carlos Magalhães (1927-2007), permitiu a entrada e a permanência de mulheres com essa vestimenta. O uso também foi liberado nas salas das comissões, na sala do café dos senadores, na tribuna de honra e na bancada de imprensa.
Uma questão simples, mas que só foi resolvida há 20 anos, revela como ainda é recente a participação das mulheres na vida política do país. Eunice Michiles, a primeira senadora eleita do Brasil, assumiu o cargo em 1979. Na época não havia nem mesmo um banheiro feminino no Plenário. Atualmente, a Casa tem 13 senadoras.
E não fosse a eclosão do movimento de contestação, dentre eles, o movimento hippie que sacudiu o mundo na da década de 1960, este direito, aparentemente tão simples, ainda não seria possível.

Caracteríticas do movimento Hippie
Uso de roupas coloridas, homens de barba e cabelo compridos, moças com flores no cabelo, músicas com violão e acampamentos. Em suma, os hippies recusavam a sociedade de consumo e a família tradicional. Além disso, admiravam a cultura do Oriente, vestiam batas indianas e apreciavam a alimentação natural, operou-se uma revolução sexual:   os homens passaram a utilizar cabelos compridos masculinos e as saias femininas encurtaram, entrando em cena, a mini-saia. Quebrar o tabu da virgindade era visto como uma forma de libertar as pessoas. A pílula anticoncepcional virou arma feminina na luta pelo prazer.



quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

CONVERSAS DOS CAMPONESES DE SÃO LOURENÇO SOBRE O HOMEM DA CIDADE?


CONVERSAS DOS CAMPONESES SOBRE O HOMEM DA CIDADE?
Vou narrar aqui falas comuns aos camponeses residentes em São Lourenço quando vinham a Dourados.  Os camponeses periodicamente iam a cidade de Dourados, e, um pouco menos a Caarapó e até a Vila Nova América.  Estas visitas eram feitas periodicamente, às vezes uma vez ao mês, ou com periodicidade maior (três, cinco ou seis meses) e por vezes, porque não dizer? !!! Anualmente. Na cidade os camponeses iam para comercializar o excedente de sua produção, especialmente, o arroz, comprar mantimentos, produtos industrializados (querosene, fósforo, açúcar, farinha de trigo, fumo, etc).
E aqui me refiro as falas de diversas famílias camponesas residentes em são Lourenço:  Ribeiro, Oliveira, Ferreira, Lopes, Ricardi, Alexandre, Bispo, Marcelino, etc.
Pois bem, os camponeses ficavam perplexos com as práticas do homem, digamos urbano – assim me expresso porque na verdade estas cidades ainda cultivavam hábitos, os mais variados, típicos de comunidades rurais. Vejamos algumas das falas:
“na cidade as pessoas não usam mais chapéu, apesar de o sol ser muito quente.  Pode uma coisa dessas? Vão cozinhar o miolo da cabeça (o cérebro)”. Também comentavam: “o fulano trabalha numa repartição pública ou comércio, e como não toma mais sol, a pele tá amarela”. “ E a mão dele, parece mão de moça!!!Não tem não, não senhor, mais calo na mão”

domingo, 12 de agosto de 2018

UMA PALAVRA SOBRE O DIA DOS PAIS

Há 20 anos e oito meses atrás, o meu faleceu. No entanto, os seus ensinamentos, valores morais, espirituais e filosóficos continuam vivos, eu diria que estão eternizados em minha memória. Desta forma posso assegurar que ele vive e continua, sob outra forma, sendo um dos meus grandes orientadores em cada passo que dou.
Aos demais primos tenho a dizer, os seus pais, foram pessoas fantásticas, porque não mediram esforços para educá-los a serem íntegros, honestos e éticos. Parabéns a todos os pais da nossa numerosa família,

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

SAIU COM A BARBA FEITA APENAS PELA METADE

Relato aqui um fato que não sei dizer exatamente com qual dos filhos do nosso avô Luis Baiano ocorreu. Acredito que foi com o Tio Sebastião, mas certeza, advirto eu não tenho. Sei apenas que ouvi esta história contada pela minha avó paterna, Purcina Ferreira. Ei-la:
Alguém que também não sei quem é,  estava fazendo a barba deste tio e eis que apareceu algo para ser feito e o nosso avô chamou  aos gritos pelo nome deste tio que estava fazendo a barba, que por sinal, estava feita apenas de  um lado. E uma ordem de Luís Baiano tinha que ser cumprida imediatamente a qualquer custo. Pois bem este tio levantou-se e foi cumprir a tarefa determinada pelo nosso avô, pouco se  importando  com a comicidade da cena. O mais importante era não cair na ira de Luís Baiano. 
Este é mais um relato que revela o temperamento do nosso avô.

terça-feira, 31 de julho de 2018

UM FATO RELACIONADO AO PÉ DE CEDRO DE COXIM

Parentes da Família Oliveira, residentes ou que residiram em Mato Grosso, em especial, e também aos demais Oliveiras, relato aqui um fato que ocorreu comigo em 2004 quando fiz uma visita aos Oliveiras residentes em Marto Grosso. Fiz a viagem com carro próprio e no caminho parei em Coxim, exatamente porque como professor entendo ser importante conhecer, quando possível, os pontos ou referências históricas. E para o meu desencanto, na entrada de Coxim, interpelei um menino e perguntei: onde fica o pé de cedro? A resposta quase me fez cair de costas: de que pé de cedro o senhor está falando? Fiquei espantado, afinal de contas, este pé de cedro projetou Coxim no Brasil inteiro, inspirou uma música sertaneja, interpretada e reinterpretada pelas duplas ou cantores mais  renomados do mundo sertanejo.
Somos um País que, via de regra, os brasileiros não sabem sua história, suas origens, por isto, somos facilmente dominados pelo  grande capital, especialmente o estrangeiro.


domingo, 29 de julho de 2018

O EFEITO MÁGICO DAS HISTÓRIAS E ESTÓRIAS

Atualmente com tantos recursos midiáticos (computador, Smartphone, televisão, etc), o contador de história tem sido muito raro nos lares brasileiros, o que é uma pena.
Em São Lourenço, o meu pai e os meus tios tinham o hábito de quando chegavam da lida da roça, cansados, é bem verdade,  em contar histórias e estórias para os filhos. E confesso era um momento mágico.
Muitas e muitas vezes, eles não conseguiam terminar as histórias e estórias, vencidos pelo sono. Então ficávamos cutucando-os para que acordassem e as terminassem. As  vezes, as alteravam porque continuavam a contá-las em estado de semiconsciência, mais ainda assim, gostávamos.
Estou a relatar estas coisas para dizer que esta prática foi muito positiva para estabelecer um laço afetivo, uma cumplicidade entre pais e filhos, uma família sólida e marcada por muito respeito e amor entre pais e filhos.

domingo, 8 de julho de 2018

PAPAI, MAMÃE, VOVÔ E VOVÓ

Para apimentar a nostalgia, queridos primos e tios, de volta ao passado, para ser mais exato ao São Lourenço (décadas de 1960 e 1970), provoco a memória de todos vocês e afirmo que  era um hábito comum a  todos nós ao nos dirigirmos ou nos referirmos aos nossos pais e avós, utilizarmos os termos papai, mamãe, vovô e vovó, termos que sem dúvida, revelam uma maior intensidade afetiva entre filhos e pais, netos e avós.
Hábitos saudáveis e típicos das comunidades rurais. Todavia, com o início de uma nova fase da indústria no Brasil e com a veloz urbanização brasileira, somado ao fato de que ingressamos na adolescência, começamos a nos sentir constrangidos em se dirigir aos nossos país e avós, como dantes nas terras dos Ribeiros, e aos poucos passamos a utilizar os termos pai e mãe e a duras penas , conseguimos perpetuar o termo vovô e vovó. 
Todavia, os nossos filhos e netos, boa parte, ignoram estas tradições. E digo mais, inclusive, o hábito de pedir a benção está sendo gradativamente abandonado. O Brasil rural, mais afetivo e mais solidário, está cedendo lugar a um Brasil menos afetuoso, mais empreendedor e mais racional, o que nos coloca como imperioso o esforço,  não de uma volta ao passado, porque de uma vez por todas, nem como hipótese pode figurar tal pretensão. Mas  sim, como se modernizar, progredir, recorrendo a um grande revolucionário: Ernesto Che Guevara, "temos que endurecer sem perder a ternura". No Brasil do século XXI é impossível sermos como nos anos 1950 e 1960, quando o Brasil era uma sociedade rural, todavia, valores humanistas e éticos, creio que devemos nos esforçar para perpetuá-los.
Observação: estes relatos que eu fiz tenho certeza que são válidos para a família do meu pai, já com relação a família da minha mãe, deixo que responda o Tio Lilo, o Luís da Tia Nana e outros que viveram e conheceram o São Lourenço, terrinha que o vovô Luís Baiano e a vovó (Maria Baina) moraram por algum tempo.

sábado, 16 de junho de 2018

OS MUTIRÕES EM SÃO LOURENÇO.



Nos anos 1950 e 1960 a estrada que ligava o São Lourenço a Nova América, Caarapó e Dourados apresentava-se  muito precária.Esta estrada atravessa o Córrego São Lourenço, sendo que nas duas margens deste córrego existe uma planície com extensão de aproximadamente  300 metros em cada lado  e que nas décadas citadas, era extremamente pantanosa, haja vista que, naquele período histórico, o São Lourenço ainda estava coberto de matas e, como se sabe, onde existem florestas, o reservatório subterrâneo aquático é muito mais raso, mais próximo mesmo da superfície terrestre, porque a água é puxada pelas raízes das árvores. 
Assim sendo, nesta planície, as águas ficavam acima da superfície terrestre, alagando-a, formando extensos pântanos. Alguém que se propusesse atravessá-la com algum veículo, era quase certo que atolaria. Até tratores muitas e muitas vezes atolaram ao atravessá-la. Sendo mais claro, mesmo a pé, atravessá-la era um grande desafio.
E, naquele período a Prefeitura Municipal, primeiramente de Dourados, já que  até 1958, Caarapó era um Distrito de Dourados e mesmo  depois da transformação deste  distrito em Município,  a Prefeitura de Caarapó, não se fazia presente prestando  serviços em benefício dos camponeses residentes em São Lourenço, dentre eles, abertura e manutenção desta estrada.
Diante disso os  camponeses tiveram que realizar a  manutenção e os melhoramentos nesta estrada, o que fizeram, recorrendo aos mutirões. Dentre as famílias que participaram destes mutirões podem ser citadas a dos Ribeiros, dos Lopes, a de Luís Baiano, do Pascoal, do Seo Agostinho e outros.
Os camponeses constituíram diversas equipes: a de roçadas, a que abria valetas visando a drenagem desta planície pantanosa,  pela colocação de pedras nos atoleiros (buracos) e a de alimentação, constituída pelas  mulheres dos camponeses. E desta forma lograram êxito  em romper o isolamento que São Lourenço estava condenado a sofrer em relação a Nova América, Caarapó e Dourados, caso não fizessem nada. 
Lembrando que os camponeses  precisavam ir a um destes lugares para comercializarem o excedente de suas respectivas produções agrícolas, em especial a de arroz e comprarem alguns produtos industrializados: açúcar, querosene, farinha de trigo, fumo caipira, farinha de mandioca, enxadas, foices, machados, etc. 
E estes mutirões contribuíram para aproximar estas famílias e estabelecer um espírito de cumplicidade entre elas, uma relação que pode-se dizer de parentes.  Era como se,  em São Lourenço, existisse uma única família. 
Era muito bonito  ver o momento em que as famílias paravam para as refeições. O cardápio era constituído por ovo frito, farofa, arroz, feijão, carne de frango, café, bolo de milho. Porém, como eram preparados por diversas cozinheiras, o tempero das refeições era diferenciado. E os camponeses, num espírito de muita camaradagem, de cumplicidade e de partilha, saboreavam as refeições preparadas por todas as cozinheiras e, ao saborearem pratos com temperos diferentes a comida ficava mais apetitosa. Ou seja, as paradas para as refeições, se constituíram  em momentos de festas, de confraternização e que marcou indelevelmente a todos àqueles que viveram estes momentos, além de ter contribuído para selar um clima de muita confiança entre todas as famílias camponesas residentes em São Lourenço.
Observação: quando alguma das famílias camponesas precisava plantar ou colher em tempo record, muitas e muitas vezes, recorreu-se aos mutirões.